... e uma receita de pão (de mãe)
A Ana - aluna do primeiro horário de sexta-feira - foi a sortuda. Porque naquele dia eu acordei animada, disposta (dormi 12 horas!) e fiz um pão (nada de máquina,na mão). A receita é das antigas, da minha sogra.
Como em tudo eu modifico, na receita original fazia-se vários pãezinhos, mas eu prefiro fazer uma bolona, amasso e deixo descansando e crescendo. Para saber se já está na hora de ir para o forno, faço como minha mãe fazia, coloco uma bolinha de massa dentro do copo com água. E quando a bolinha subia, a filharada corria e gritava bem alto: "mãe, subiu!!! a bolinha subiu". Certamente continua assando pão para o café da mãnha dos anjos do céu, pois a minha mãe era daquelas pessoas que já nasceram trabalhando.
A receita é essa:
Coloque dois tabletes de fermento fresco na bacia, junte uma xícara (chá) de leite morno, uma pitada de sal, uma de acúçar, 4 colheres (sopa) de óleo (eu coloco azeite, mais gostoso) e um ovo ligeiramente batido. Em seguida vá juntando a farinha. A receita original pede 4 xícaras (chá), mas eu paro na terceira. Prefiro ele meio grudando na mão - fica mais macio. Como eu não faço muitos paezinhos, faço só uma bolona, igual pão italiano, 3 xícaras são suficientes. Coloco a massa numa assadeira forrada com papel manteiga, cubro com pano de prato, coloco a bolinha no copo e espero.
Naquele dia eu mal dei as costas para ir tomar banho a bolinha subiu, sorrindo: "hei, estou pronta!"
Saí do banho e a casa transbordava cheiro de mãe. Mãe gorda, de avental sujo de farinha. Sujo de afeto.
A Ana chegou e fomos tomar um café.
Sortuda essa Ana, né? Sortuda eu por ter tido uma mãe que cozinhava para os filhos, por ter uma sogra que fazia pão quando eu ia lá (porque eu gostava). Sortuda eu por ter essas lembranças boas que sempre, sempre me levam de volta para casa.
Reparem no detalhe do pano de prato. Ganhei o retalho da Lorena, que já terminou o curso e está aceitando encomendas das costuras que aprendeu aqui e outras da sua imaginação. Asseguro que seus trabalhos são muito caprichados. Vão lá encomendar.
Depois do café fomos trabalhar. A Ana fez uma bolsa linda para presentear a filha que mora em São Paulo. Sortuda também essa filha da Ana, né?
E o dia nasceu feliz!



