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15 de fevereiro de 2019

Pão italiano, fácil e econômico


Antigamente,  um homem considerado bonito era chamado de "pão". 
Um bom "pão" é aquele firme por fora e macio por dentro. Ele deve ser:

...versátil, ingredientes acessíveis para ter um pão disponível a hora que você precisar dele. 

...servir para uma noite fria, acompanhado com um caldo, um fondue, um vinho... Servir para as crianças. Levar numa viagem, congelar. Deve ser relaxante construí-lo e não um fardo.

Mas como tudo envelhece, se não souber trabalhar a massa, poderá se tornar murcho ou duro demais em pouco tempo. 
 Pão, pão, lindo pão... casa comigo?
Para essa crocância toda ele é assado dentro de uma panela,  com tampa, que possa ir ao forno. Eu usei uma de barro. Deu super certo. E disso aprendi uma lição: as panelas de barro também são ótimas para os diversos assados: carnes em geral, peixes. Adeus passar horas na pia lavando fôrma engorduradas. A minha dica é forrar com papel alumínio para que não grude.

Então, se você dispõe desses simples ingredientes, nunca mais vai ser preciso comprar pão italiano na padaria da esquina.

Ingredientes:
Uma panela que possa ir ao forno, entre 18 a 25 de diâmetro.
3 xícaras (chá) de farinha de trigo sem fermento comum (43,1 gramas)
1/4 de colher (chá) de fermento seco biológico - esses de pacotinho
1 1/4 de colher (chá) de sal
1 1/2 xícara (chá) água fria filtrada (330 ml)
Farinha de trigo comum para polvilhar a bancada
Farinha de trigo integral para polvilhar no fundo do pano (antes de ir ao forno)
É importante usar as medidas nivelas, assim:
Numa tigela, junte a farinha, o fermento e o sal. Misture bem. Depois disso vá adicionando a água fria e mexendo com uma colher de pau. Não mecha com as mãos porque a massa fica bem grudenta. É assim mesmo. Misture bem com a colher para incorporar toda a água à farinha. Cubra a tigela com um film plástico e leve para descansar em lugar longe do vento e calor por durante 12 horas ou até, no máximo, 18 horas. Costumo deixar dentro do forno (desligado, lógico). Ideal deixar a massa descansando de um dia para o outro. Costumo fazer às 20 horas. No dia seguinte à 8 da manhã trabalho a massa.

No dia seguinte a massa triplicou de volume, criando bolas fofas, assim:
Separe uma outra tigela, forre o fundo com um pano de prato e polvilhe bastante farinha integral no fundo e reserve, assim:
Agora polvilhe farinha comum na bancada, vire essa massa mole, raspando a tigela com uma colher de silicone. Com uma espátula, ou mesmo a colher de silicone, dobre a massa sobre ela mesma, nas quatro direções de fora para dentro. Não precisa fazer isso com precisão, mas se ficou na dúvida como fazer, assista aqui o vídeo da minha mestra Cozinha Prática GNT. Com a ajuda da espátula, coloque essa massa dentro da tigela reservada com o pano de prato. Cubra e deixe descansar por meia hora.
Enquanto isso, forre o fundo de uma panela que possa ir ao forno. Aqui usei panela de barro com 18cm de diâmetro. Também já usei na panela de 25 de diâmetro - gostei mais da menor. Unte toda a panela com um pouquinho de óleo, forre com papel alumínio e passe mais um pouquinho de óleo por cima do papel alumínio. Isso fará com que o pão não grude no fundo e laterais, assim:
Agora, coloque essa panela com a tampa dentro do forno, ligue o forno em 230 graus e deixe aquecer por uns 20 minutos (enquanto a massa cresce na outra tigela)
Passado os 30 minutos, retire a panela do forno com muito cuidado para não se queimar. Coloque em superfície de madeira ou pano, pois se colocar em cima da bancada fria, ela pode estourar. Vire a massa dentro da panela quente, de modo que a parte do fundo da massa fique para a parte de cima dentro da panela. Leve ao forno por 25 minutos com a tampa. Depois desse tempo, retire a tampa e deixe assar mais 20 minutos ou até que fique dourado.

Retire da panela, transfira para uma grade. Mas se não tiver grade, faça um suporte com duas colheres de pau apoiadas no fundo de 2 panelas de cabeça para baixo. É necessário deixar o fundo livre para o ar circular para que o pão não fique suado por baixo.
Espere esfriar para cortar em fatias. Caso queira congelar, congele em fatias dentro de um saco plástico por até 3 meses. Pesei depois de pronto
Pão a qualquer hora, sem sair de casa.

8 de fevereiro de 2019

Quando cai neve em BH

Engraçado é que, em dias de chuva, a maioria das alunas costuma faltar às aulas de costura, mesmo aquelas que moram no bairro.
Muito trânsito? Curtir a chuva no aconchego dos seus lares? Talvez.

Então, como fiquei com a manhã livre e com a casa e comida já organizadas, restou-me a não fazer nada. Venho aqui escrever neste diário...
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Alguns dias antes de voltar às aulas fui estar com minha filha em São Paulo. Sabe, aquele carinho de mãe, dar uma faxina na casa, preparar pratos, cuidar das roupas, ver filmes juntas... coisa que não fiz nos dias de férias quando todos estavam juntos. Dou preferência em ir de avião porque sempre compro com antecedência, onde os preços são quase ou iguais aos dos ônibus. Nove horas dentro de um ônibus x uma hora dentro de um avião. Qual você prefere?

Por estarmos em período de fim de férias, as passagens aéreas estavam exorbitantes. Comentei com a vizinha e ela, como sempre vai de ônibus, me animou, dizendo ser uma maravilha... e eu queria tanto ir... Então eu vou. Então eu vou. Eu fui!!!

No site da companhia dizia partida apenas às 8 da manhã e chegada às 17 horas. Hum... penso, reflito... queria tanto partir bem cedinho...  

Joguei umas roupinhas numa mochila e lá fui à minha aventura, como uma adolescente com cabelos ainda úmidos ao vento. 

Ao entrar no ônibus retiro a mochila das costas para não atrapalhar quem vem atrás e logo avisto minha poltrona ao lado da janela, pois vou precisar de distração para aguentar 9 horas dentro de um coletivo. Do meu lado ainda não tinha ninguém. Tomara que não tenha, assim fico dona do descanso de braços. Se estou no avião, viagem curta, nem caço briga pelos cotovelos. Coloco meu braço em cima do colo.

Com os passageiros ainda se ajeitando em seus assentos, as duas poltronas à minha frente já estavam reclinadas para trás, na posição máxima. O sujeito da frente, um magrelo, esborrachado nas duas poltronas, com o boné na cara, dormindo ou fingindo dormir.

- Moço, moço, com licença? - Nada, me contorço toda para conseguir alcançar meu assento, pois não há uma "rodomoça" para orientar: "senhor, retorne o encosto da sua poltrona ". Cada um fez o que bem quis. A criança do lado gritou a viagem inteira, o outro falando alto ao celular como se estivesse dentro de um poço. Outro comendo Cheetos - aqueles salgadinhos com cheiro de vômito, como diz minha filha. Mando uma mensagem para o marido desabafando; ele me aconselha tentar dormir. Qual o quê? Bem,  pelo menos vou sozinha. Hahaha!

Mas, antes do motorista fechar a porta sobe um casalzinho procurando lugar. A moça senta do meu lado e o rapaz senta ao lado de um senhor que come bolachas fazendo barulho com a boca.  Bem, menomale, pelo menos uma moça vai ao meu lado - continuo trocando mensagem com o marido.

Mas o senhorzinho, tão gentil, oferece seu lugar à moça para que o casal possa ir junto abraçadinho, trocando beijinhos... Que nada, cada um pegou seu celular e passou a viagem inteira sem menos pegar na mão do outro. E eu fiquei lá, com meu pacote de irritações, pois nada mais irritante do que viajar com alguém mastigando ao seu lado. E não era só comer as bolachas, ele queria conversar, contar causos. Tratei logo de pegar o celular e fingir ler. Mas ler em movimento me dá enjoo. Faço-me de muda e cega. "Faz de conta que não estou aqui, ok?"

Coitado, ele queria ser gentil, pois a cada bolacha que retirava do pacote, me oferecia uma, mesmo com a resposta "não, obrigada". Depois das bolachas vieram as balas de tutti-frutti. Oh, senhor!
Na última parada pergunto ao motorista se faltava muito para chegar. Ele coça a cabeça e diz que, se tudo correr bem, sem chuva e trânsito, lá pelas 18 horas estaríamos entrando no terminal Tietê, em São Paulo, mas ouviu dizer que 3 carretas haviam tombado nas imediações de Bragança Paulista, sentido São paulo. 
Trânsito travado, todo mundo desce do ônibus. Caminhoneiros sem camisa, crianças descalças, cada um conta um caso... Começa uma chuvinha fina... Melhor relaxar e desviar os pensamentos negativos. 

Trânsito é liberado, seguimos viagem, mas a alegria não durou nem meia hora. Novo congestionamento. Senhorzinho continua me oferecendo bolachas e balas. Putz, já falei que não quero. EU NÃO QUERO!

E os pensamentos negativos vem à tona: E se me der uma crise de ansiedade? uma dor de barriga? ter um treco, ficar enjoada? Devo chamar um Uber, um helicóptero, ligar pro marido? 

Não quero bolacha, nem bala. Não quero coisa nenhuma. Quero chegar em casa! E só chegamos na rodoviária às 20:30 hs. Onze horas e meia dentro de um ônibus!

Mas ao chegar no metrô, rumo a casa, tudo já havia sido esquecido. E se precisar ir de novo de ônibus, eu vou. Mas só se precisar muito.

5 de fevereiro de 2019

Recordar é viver!

Iniciei minha paixão por louças quando começamos a receber os primeiros presentes do nosso casamento - a  maioria entregue na casa do noivo. 
E cada vez que chegava lá o sogro vinha logo sorrindo, anunciando "chegaram mais presentes para os noivos!" E era aquela alegria, quase infantil, ao abrir os pacotes, desamarrar os laços...
Na casa da minha mãe, os vizinhos mais próximos foram convidados. Mesmo aqueles que não puderam comparecer no dia da festa, levaram presentinhos. Achei aquilo tão lindo. Ser gentil, educado e ter gratidão não são sinônimos de pessoas que tiveram oportunidade de estudar, pois  a maioria era gente humilde.  
Enviar um presente - mesmo que seja modesto - se arrumar adequadamente para um casamento ao qual foi convidado, reflete sua educação, seu respeito por aquela pessoa. Você é importante para ela! Assim mesmo como arrumar a mesa para receber parentes, amigos e os de casa... Isso demonstra carinho e zêlo.
 Por julgar que poderia constranger aos mais humildes, optamos em não por lista de casamento em lojas. Veja bem, não condeno quem o faça, acho até muito mais fácil. Tudo o que ganhamos foi maravilhoso, tudo combinou com tudo, como esses aparelhos de café, chá e jantar que vieram de 3 famílias diferentes que não se conheciam. Todos com o mesmo floral.
 Peraí, vou perguntar ao marido se ele não quer me pedir em casamento novamente. 
Gosto tanto, tanto...
 Embora contratamos buffett e decorador, não teve um "mestre de sala", como dizia meu sogro para nos conduzir "hora do beijo, hora da foto..." Nada foi ensaiado... e tudo foi maravilhoso, harmonioso... 
Hoje abro meu armário de louças (e memórias) e em cada peça busco uma lembrança. Lembrança de um colega de trabalho querido, uma tia que não está mais aqui... pessoas das quais eu nunca mais soube... nunca mais vi... mas que continuam em minha lembrança através desses objetos.
O modismo dos casamentos de hoje priva certos casais dessas memórias, optando por dinheiro ao invés de presentes. Alguns alegam que já têm casa montada. Bem, quem sou eu para julgar a prioridade do outro? O presente para mim é algo mais significativo, mais afetivo. E eu não teria essas doces lembranças se tivesse optado em receber dinheiro. 
Vou comprando louças novas e compondo com as antigas. E assim vou vivendo o passado dentro do meu agora. Porque recordar é viver!

3 de fevereiro de 2019

O reencontro

O difícil não foi retirar o insulfilme das janelas do apartamento lá em São Paulo, mas sim remover a cola - coisa que tento fazer há meses! Já usei de tudo o que me indicaram e nada deu certo. A cada tentativa em vão solto um "filho da puta de inquilino atrevido", pois não sei qual foi o inquilino que colocou insulfilme escuro em todas as janelas sem nossa autorização - certamente para não usar cortina! Veja bem, procuro algo que não precise ficar esfregando, raspando. Quero algo fácil. Alguém conhece? Sabe me indicar?

Estava em São Paulo passando uns dias com a minha filha, num calor de 35 graus quando resolvo sair para ir atrás, mais uma vez, de uma solução. Isso implicaria usar uma boa parte do meu dia, procurando e executando o serviço, já que a faxina grossa a filha sempre deixa a cargo dos mais experientes, no caso eu.

Passei por dentro da galeria onde costumava cortar meu cabelo desde a época de solteira, há mais de 37 anos! Depois que nos mudamos de São paulo, perdi o contato com a Lu, embora sempre estive à sua procura. Naquele dia encontro a Lu!!!! Mudam-se os planos.

A Lu, com sua segurança - adoro gente segura - vai logo amarrando o avental, separando a tinta, as tesouras. 

- Lu, o que você pretende fazer?
- Deixa comigo. Vou retirar esse amarelo, puxar umas luzes, fazer um corte moderno. Vai sair daqui gata. 
Vê lá se naquele dia fui fazer faxina!